Wednesday, November 21, 2018
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Os investigadores garantem que fazer uma dieta  pobre em asparagina, pode beneficiar os pacientes

 

Um estudo lançado este mês, e agora divulgado pelo jornal inglês The Guardian, sugere que os pacientes de cancro da mama poderão estar a ser encorajados a cortar os espargos da sua dieta como forma de minimizar os riscos de alastramento da doença.

 

De acordo com a investigação levada a cabo por um grupo de cientistas a trabalhar no Reino Unido, nos Estados Unidos e no Canadá, a asparagina, um composto presente em alimentos como os espargos, as carnes, os vegetais e alguns produtos lácteos, pode mesmo conduzir a uma propagação da doença por outros órgãos.

 

Estudos feitos em ratos sugerem que a diminuição dos níveis de asparagina em animais com cancro da mama, levou a uma drástica diminuição do número de tumores secundários associados à doença. Note-se que, no caso do cancro da mama, a taxa de mortalidade por tumores associados – como é o caso de cancro dos ossos, do pulmão ou do cérebro – é a maior causa de morte entre os pacientes inicialmente diagnosticados com cancro da mama.

 

Como esclarece Greg Hannon, diretor do Cancer Research Institute, de Cambridge, “trata-se de uma pista bastante promissora que nos mostra de modo científico que uma mudança na dieta pode influenciar o cancro”.

 

No artigo científico, publicado originalmente na Nature, os cientistas explicam como reduziram a capacidade de o cancro da mama se espalhar nos animais ao bloquear a asparagina, um aminoácido comum nas nossas proteínas, com um medicamento específico, de nome L-asparaginase. Dotar os animais de uma dieta alimentar fraca em asparagina também funcionou, ainda que com resultados menos significativos.

 

Na sequência da mesma investigação, os cientistas descobriram que os tumores mamários que produziam mais asparagina tinham maior probabilidade de se espalharem — o mesmo foi verificado ao nível dos cancros na cabeça, pescoço e rins. Apesar da redução dos níveis de asparagina reduzir a propagação do cancro da mama, não ficou provado que tal evitasse o aparecimento de tumores.

 

Apesar de existirem pistas que dão conta de uma dieta alimentar capaz de impactar a propriedade das células, Greg Hannon alerta para o facto de, enquanto os estudos não estiverem concluídos, este não ser considerado um método preventivo “DIY” (o que em inglês significa “do it yourself”). O importante será manter uma dieta variada e saudável, com enfoque em frutas, vegetais e legumes.

“Trata-se de uma pista bastante promissora que nos mostra de modo científico que uma mudança na dieta pode influenciar o cancro”

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