Sunday, November 18, 2018
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Cientistas reanimam cérebros de porco depois de mortos e concluem que vida cerebral fora do corpo poderia ser simplesmente ‘infernal’.

 

Gostava de viver para sempre? Se sim, então, este artigo poderá trazer-lhe boas notícias. Ou assim parecem. Ao que tudo indica, os cientistas estão hoje um passo mais próximos de tornar a imortalidade numa realidade.

 

No mais recente encontro científico dos National Institutes of Health, o neurocientista Nenad Sestan, avançou com a revelação de que a sua equipa conseguiu reanimar, com sucesso, o cérebro de um conjunto de porcos mortos num matadouro.

 

Ao bombear o cérebro dos animais através de sangue artificial e servindo-se de um sistema chamado BrainEx, os cientistas conseguiram trazer de volta “à vida” estes cérebro durante, aproximadamente, 36 horas.

 

Embora os cérebros dos animais não tenham recuperado a consciência, o neurocientista acredita que poder vir a restaurar esta propriedade continua a ser uma possibilidade em aberto.

 

A equipa mostrou ainda que a técnica poderia funcionar em cérebros de primatas (incluindo o cérebro humano), fazendo com que estes pudesse ser mantidos vivos por tempo quase indeterminado.

 

Mas, será possível, realmente, sobreviver à morte do próprio corpo? Como seria tal existência?

 

Na verdade, a resposta a estas perguntas está longe de ser clara e , por esse motivo, talvez as revelações para quem procura a vida eterna não sejam, afinal, assim tão boas quanto isso.

 

Repare-se, aliás, que esta questão levanta, claramente, toda uma série de questões éticas preocupantes.

 

Presos dentro do nosso próprio cérebro

 

Repare que, mesmo que o seu cérebro conseguisse manter-se vivo, após a morte do corpo, toda a nossa existência passaria por manter um “cérebro num balde”, sem corpo, trancado na nossa própria mente, sem acesso aos sentidos que nos permitem experienciar o mundo e interagir com ele.

 

Na verdade, o conhecimento e a tecnologia necessários para implantar o nosso cérebro num novo corpo, podem estar a décadas, ou até mesmo a séculos de distância.

 

Assim, na melhor das hipóteses, reanimar o nosso cérebro dar-nos-ia apenas ‘passaporte’ para uma vida em que os pensamentos seriam a nossa única companhia. Alguns estudiosos chegaram mesmo a argumentar que, mesmo com um corpo totalmente funcional, a imortalidade do cérebro poderia tornar-se completamente entendiante. Para muitos, sem qualquer contacto com a realidade externa, a ‘reanimação de cérebros’ poderia ser apenas um “inferno vivo”.

 

Repare-se, aliás, que, como têm vindo a defender alguns cientistas, é impossível para um cérebro que funciona fora do corpo, abrigar algo que se assemelhe a uma mente humana normal.

 

António Damásio, reconhecido filósofo e neurocientista português, foi um dos primeiros a apontar que, em seres humanos comuns, o cérebro e o corpo estão em constante interação entre si e não vivem um sem o outro.

 

Cada músculo, cada nervo, cada articulação e cada órgão estão ligados ao cérebro – e um elevado número de sinais químicos e elétricos são enviados deste e para este a cada segundo. Sem este constante “feedback” entre cérebro e corpo, as experiências e os pensamentos não seriam, como defende o investigador, simplesmente possíveis.

 

Então, como seria habitar um cérebro fora do corpo humano? A verdade é que ninguém sabe. Mas, provavelmente, seria bem pior do que ser apenas entendiante, poderia chegar a ser profundamente perturbador.  Os investigadores já alertaram, aliás, que, o primeiro indivíduo a receber um transplante de cérebro poderá vir a sofrer graves consequências.

 

Afirmam que a probabilidade do seu cérebro ficar sobrecarregado com sinais químicos e elétricos com os quais não está familiarizado (e que lhe serão enviados pelo seu novo corpo), poderá mesmo conduzi-lo à loucura.

 

Nesta linha de pensamento, um cérebro desencarnado reagiria, provavelmente, da mesma forma.

 

Ainda seríamos nós?

 

A resposta a esta pergunta está, também ela, longe de ser clara. O que acontece no momento em que morremos é assunto de um debate filosófico constantemente em curso.

 

No entanto, em diversos artigos publicados pelo investigador Benjamin Curtis, da Nottingham Trent University, uma das questões deixadas em aberto relaciona-se, precisamente com o facto de compreender o que nos torna naquilo que somos e de que modo persistimos às mudanças que nos assolam.

 

Muitos dos investigadores a trabalhar nesta área acreditam que somos, afinal, seres puramente psicológicos e que, por esse motivo, seríamos capaz de sobreviver, cerebralmente, fora de um corpo, uma vez que as nossas memórias e personalidades fossem preservadas.

 

Mas, de acordo com outras formas de pensamento, somos inseparáveis do nosso próprio organismo – do nosso próprio corpo, constituído por células, carne, osso e órgãos.

 

Ora, de acordo com esta última filosofia, o que nos torna naquilo que somos morre quando o nosso organismo morre – mesmo que o nosso cérebro sobreviva. Assim, e pela lógica, se o nosso “eu” morre quando o nosso corpo morre, então, fora do nosso corpo, não seríamos mais nós.

 

Para finalizar, coloca-se ainda a questão ética acerca da possibilidade de reanimar cérebros humanos em corpos mortos.

 

Se, de acordo com a visão ética dominante, os seres humanos possuem status moral pleno – isto é, são merecedores do mais elevado grau de respeito moral – e se esse status advém do facto de possuirem propriedades psicológicas de alto nível, que são fundamentadas nas capacidades de um cérebro humano consciente, então cabe que nos questionemos: será o nosso cérebro desencarnado uma entidade moral de status pleno?

 

A conclusão parece ser relativamente clara – manter um cérebro humano consciente, fora do seu corpo, pode sujeitar uma entidade com status moral pleno a uma existência infernal, cuja tortura mental e a loucura seriam a principal ameaça.

 

Traduzindo: poderia concretizar-se em algo pior que a própria morte. Valerá a promessa da vida eterna esse risco?

 

Fonte: Science Alert / BENJAMIN CURTIS, THE CONVERSATION

A conclusão parece ser relativamente clara – manter um cérebro humano consciente, fora do seu corpo, pode sujeitar uma entidade com status moral pleno a uma existência infernal, cuja tortura mental e a loucura seriam a principal ameaça.

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