Sunday, November 18, 2018
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Quatro jovens cientistas portuguesas são hoje distinguidas com as Medalhas de Honra para as Mulheres na Ciência pelas suas propostas de investigação sobre o parasita da malária, novos materiais para regeneração óssea, nanocápsulas de antibióticos e variações climáticas.

 

Carina Crucho (Instituto Superior Técnico), Dulce Oliveira (Instituto Português do Mar e da Atmosfera), Margarida Fernandes (Centro de Física/Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho) e Inês Bento (Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes) foram as premiadas e vão receber, cada uma, 15 mil euros, indicou a organização da iniciativa anual.

 

A entrega das distinções será feita no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, onde são esperadas as secretárias de Estado da Ciência, Maria Fernanda Rollo, e da Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro.

 

As Medalhas de Honra para as Mulheres na Ciência é uma iniciativa que vai na 14ª edição e é promovida pela L’Oréal Portugal, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia e a Comissão Nacional da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

 

As distinções premeiam jovens cientistas doutoradas, com idade até aos 35 anos, que fazem o seu trabalho em Portugal nas áreas da saúde e do ambiente.

 

A investigadora Carina Crucho, do Instituto Superior Técnico, propõe-se criar uma nanocápsula capaz de levar um antibiótico a um sítio do corpo onde uma bactéria resistente está a causar danos.

 

“O antibiótico só é libertado na presença das bactérias”, sintetizou à Lusa, acrescentando que as nanocápsulas serão “sensíveis ao microambiente” em que as bactérias se desenvolvem, nomeadamente perante determinadas enzimas.

 

Para tornar estes transportadores de antibióticos, de tamanho microscópico, seletivos para diferentes bactérias, Carina Crucho vai usar “moléculas de açúcar”.

 

“Se trocar o tipo de açúcares, vou interagir com diferentes tipos de bactérias”, sustentou.

 

Margarida Fernandes, investigadora do Centro de Física/Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho, vai trabalhar com um compósito (material obtido a partir de outros) que possa responder a estímulos magnéticos exteriores e, com isso, fazer “crescer as células” do tecido ósseo “de forma mais eficiente após uma lesão”.

 

Para formar o compósito, com o qual pretende “imitar o ambiente celular no tecido do osso”, a cientista vai usar um polímero (grandes moléculas) e nanopartículas.

 

O ‘relógio biológico’ do parasita da malária, que tem o mesmo ciclo de 24 horas de outros organismos vivos, está na origem da proposta de estudo com a qual foi distinguida Inês Bento, que trabalha no laboratório de biologia e fisiologia da malária do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, liderado por Maria Manuel Mota.

 

Inês Bento explicou à Lusa que o propósito da sua investigação é “chegar ao mecanismo principal que regula este ciclo no parasita” e, “acreditando que este ciclo permite ao parasita adaptar-se melhor ao meio ambiente celular”, interferir nele.

 

Uma vez que o ‘relógio biológico’ do parasita é o mesmo independentemente do seu estádio de desenvolvimento, a investigadora admite que pode ser um alvo terapêutico para combater a malária, quer o parasita esteja alojado no fígado quer se tenha disseminado posteriormente no sangue (fase em que surgem os sintomas da doença).

 

Recuando 800 mil anos, a investigadora Dulce Oliveira, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e do Centro de Ciência do Mar da Universidade do Algarve, vai estudar o impacto das variações climáticas nos ecossistemas marinho e terrestre, analisando “períodos quentes semelhantes ao atual interglaciário” e “transições entre períodos glaciares e interglaciares caracterizadas por um aumento contínuo da temperatura e pela ocorrência de eventos climáticos abruptos”.

 

Dulce Oliveira adiantou à Lusa que o estudo, que envolve uma equipa multidisciplinar, “possibilitará reconstruir as dinâmicas da vegetação, a ocorrência de incêndios e as alterações nos ecossistemas marinhos durante períodos-chave do passado que são considerados análogos para o clima do futuro”.

 

Em particular, a especialista em palinologia (ramo da botânica que estuda o pólen e os esporos) marinha vai analisar, através da observação ao microscópio, microfósseis de grãos de pólen preservados num registo de sedimento marinho recolhido na margem de Sines.

 

A investigadora esclareceu que “os grãos de pólen preservados nos sedimentos marinhos representam fielmente a vegetação do continente adjacente, permitindo reconstruir a vegetação ao longo do passado geológico e efetuar reconstruções paleoclimáticas, designadamente no que se refere a anomalias de temperatura e de precipitação”.

 

Partindo do mesmo registo sedimentar, outros cientistas vão focar-se na análise de outros indicadores climáticos terrestres, como os microcarvões, e marinhos, como os foraminíferos (protozoários com concha).

 

A cientista espera que os resultados que a equipa venha a obter “ajudem a distinguir a variabilidade climática natural das alterações [climáticas] associadas às atividades humanas”.

 

Carina Crucho, Margarida Fernandes, Inês Bento e Dulce Oliveira foram selecionadas entre mais de 70 candidatas por um júri presidido pelo investigador e deputado Alexandre Quintanilha. O júri que avalia as candidaturas é designado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e o montante dos prémios é atribuído pela empresa de cosméticos L’Oréal.

 

Fonte: Diário de Notícias

Quatro jovens cientistas portuguesas são hoje distinguidas com as Medalhas de Honra para as Mulheres na Ciência.

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